Ao nos educarmos ecologicamente, percebemos como nossas práticas estão cheias de agressões ao meio ambiente. Com o desenvolvimento em larga escala, o ecossistema que costumava absorver os pequenos impactos agora se altera drasticamente.
Nossa alimentação, algo cotidiano e vital, é uma das cadeias de produção que diariamente geram resíduos descartáveis, que permanecem por anos, como poluentes na natureza. (AQUARONE, 1990)
Talvez as futuras gerações olhem para trás e vejam, como um absurdo, o fato de criarmos embalagens duradouras para proteger produtos efêmeros que consumimos em algumas mordidas. Estudos mostram que uma latinha de refrigerante pode durar entre 100 a 500 anos para se decompor, já garrafas plásticas ou de vidro podem levar um tempo indeterminado. (MATHEUS, MACHADO, AGUIAR, 2019)

O que fazemos hoje é equivalente a caçar moscas, dentro de casa, com uma bazuca. Matamos o pequeno inseto porém deixamos um grande rombo à mostra. O suposto fastfood é rápido apenas para nós, pois para o meio ambiente, aquela bandeja cheia de papéis plastificados, canudos e copos plásticos, poderão estar em nossas praias e rios por diversas gerações.
O famoso ditado “você é o que come” poderia ir mais além e dizer: “vivemos como comemos”. Escolher com mais consciência os lugares que nos alimentamos deve se tornar uma prática cada vez mais comum em uma sociedade que se educa para se desenvolver.
Nem sempre podemos ou queremos ser responsáveis pelo preparo de nosso alimento. Portanto, restaurantes são essenciais no funcionamento social. Eles também são ótimas oportunidades para experimentarmos a cultura culinária de outros lugares, além de palco para momentos de intensa interação social.
Estes espaços, que são responsáveis por algo tão essencial ao viver como se alimentar, podem refletir a lógica de uma vida melhor. Lugares que buscam utilizar, de forma inteligente, as vantagens oferecidas pela natureza, como luz e ventilação natural, fontes de energia limpa, compostagem de resíduos orgânicos, uso inteligente das fontes de água, entre outros, praticam o desenvolvimento sustentável.

Certificações que garantem a utilização de alimentos orgânicos, naturais e locais são fortes chamarizes aos que querem se sentir mais confortáveis com o que consomem. Há aplicativos que ajudam as pessoas a se conectarem com restaurantes saudáveis de sua região.
Espaços sustentáveis e comidas saudáveis representam um perfeito equilíbrio. Projetos ecológicos para restaurantes são uma das peças fundamentais para criarmos atmosferas de experiência consciente de consumo, algo que tem uma demanda cada vez maior no mercado.
Pessoas que se importam com o impacto ambiental causado pelo consumo se tornam cada vez mais numerosas e devem favorecer o consumo em estabelecimentos que compartilhem de seus valores no trato dos alimentos, no uso do espaço e na aplicação da economia solidária.
Já que somos o que comemos, descasquemos mais e desembalemos menos.
Referência:
AQUARONE, E.; BORZANI, W., LIMA, U.A. Biotecnologia: tópicos de microbiologia industrial. São Paulo: E. Blücher, 1990. v. 2.
MATHEUS, A.; MACHADO, A.; AGUIAR, P. Tabela de Tempo de Decomposição de Materiais: Contexto para a Abordagem de Química Ambiental no Ensino Profissional de Nível Médio. Relatos de Sala de Aula, São Paulo – SP, Vol. 41, Nº 3, p. 259-265,Agosto, 2019.


