Existe uma teoria de que, assim como um banco, uma câmera ou um telescópio, qualquer ideia precisa de pelo menos três apoios para se sustentar, do contrário ela não encontra estabilidade e cai.

Na sustentabilidade em arquitetura não é diferente. Ela é apoiada por três pilares principais: ambiental, social e econômico. Apenas se nós conseguirmos suprir esses três aspectos, podemos considerar que um empreendimento é realmente sustentável. Afinal de contas, o que adianta um edifício poder captar energia solar, reutilizar água e reciclar lixo se sua construção foi superfaturada dos cofres públicos? Da mesma forma, como podemos chamar de sustentável um lindo resort verde que para ser construído desabrigou e tirou o sustento de moradores locais?
O termo tripé da sustentabilidade (em inglês, triple bottom line) foi cunhado pelo consultor britânico John Elkington (1997) em seu livro Canibais com garfo e faca. Nele Elkington se fundamenta nos conceitos de prosperidade econômica, qualidade ambiental e justiça social para defender um real desenvolvimento sustentável tri apoiado.
Portanto, a viabilidade econômica também é uma das maneiras de se atingir um equilíbrio ecológico. Mas como atingir tal viabilidade ao nos depararmos com a necessidade de implantar recursos muitas vezes dispensados por construções banais, como produção de energia solar e eólica ou sistemas de captação e reutilização de água?
Apesar de tais recursos apresentarem necessidades de investimentos no período de projeto e construção, eles acabam se refletindo em retornos financeiros no decorrer do tempo e findam por cobrir seus custos de instalação.

O tripé da sustentabilidade também representa retorno financeiro por poder ser utilizado como vantagem competitiva através da visibilidade e do valor agregado que este representa (SILVA, 2021). Um número cada vez maior de pessoas têm dado preferência pelo consumo consciente, preferindo produtos e serviços que prezam pela sustentabilidade.
Desta forma, podemos ter a impressão de que projetos ecologicamente corretos são mais caros, porém ao deixarmos de focar apenas no momento de implantação e observarmos o desenvolvimento do empreendimento a médio e longo prazo, percebemos que a sustentabilidade em nossas construções é financeiramente mais vantajosa, além de contribuir grandemente para alcançarmos a meta da construção de um futuro mais digno a nossa sociedade.
Logo, devemos compreender que o desenvolvimento sustentável não significa um bolso insustentável, pelo contrário. Ele também representa equilíbrio e estabilidade financeira tão essencial em nossas vidas. Basta que entendamos que a utilização de estratégias corretamente ecológicas representam investimentos, não gastos.
Referência:
ELKINGTON, John. Cannibals with forks. The triple bottom line of 21st century, p. 73, 1997.
SILVA, H. M. M. da . A SUSTENTABILIDADE COMO VANTAGEM COMPETITIVA: UM OLHAR SOBRE O TRIPÉ DA SUSTENTABILIDADE. Revista Multidisciplinar de Educação e Meio Ambiente, [S. l.], v. 2, n. 3, p. 80, 2021. DOI: 10.51189/rema/2104. Disponível em: https://editoraime.com.br/revistas/index.php/rema/article/view/2104. Acesso em: 21 jan. 2022.


