Nós brasileiros amamos nos sentir belos e confiantes e para isso investimos fortemente na indústria cosmética.
Segundo o panorama divulgado pela ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), o Brasil é o terceiro país no ranking de maiores consumidores de produtos de beleza e higiene, perdendo apenas para Estados Unidos e China. Os brasileiros respondem pelo maior consumo nas categorias de desodorantes, perfumaria e filtros solares e segundo maior consumidor global de produtos masculinos, infantis e para cabelos.
Porém, este movimento narcísico tem seu preço: o fato da indústria de beleza ter uma grande variedade de matérias-primas a torna uma das grandes potenciais poluidoras do meio ambiente.

A água, que é uma matéria-prima amplamente utilizada na fabricação de produtos cosméticos, é constantemente poluída pela formação de efluentes líquidos, como óleos e graxas, sulfetos, despejos amoniacais, tensoativos, fosfato e polifosfato. Estes efluentes podem causar, principalmente, dificuldade no tratamento da água e odor desagradável, além de impossibilitar o bom funcionamento dos ecossistemas (MORAIS; ANGELIS, 2012).
A relevância do consumo sustentável tem levado cada vez mais pessoas a buscar uma “beleza pura”, criando um novo discernimento de como consumir. O “consumidor verde”, segundo Nocera e Silva (2016, p.5) são “aqueles que buscam adquirir produtos que causem o mínimo impacto possível ao meio ambiente”. Ao aplicar tais princípios, nós como sociedade abraçamos a consciência coletiva da limitação de nossos recursos, da degradação crescente do meio ambiente e da auto preservação enquanto espécie.
Dentro desta lógica, cresce a produção dos cosméticos orgânicos. Estes são produtos formulados e desenvolvidos com ingredientes naturais certificados. Todo produto orgânico é fabricado dentro da lógica da sustentabilidade, da ecologia correta e da justiça social. Seus resíduos não agridem a natureza e o processo produtivo preocupa-se com as comunidades envolvidas. Existem selos que ajudam a identificar os cosméticos em relação às certificações orgânicas (EcoCert e IBD), veganos (sem insumos de origem animal), cruelty free (isento de teste em animais), entre outros.

Criam-se muitas organizações que se esforçam para desenvolver uma rede de cosméticos sustentáveis. Entre outras ações, há a logística reversa de embalagens que representa as ações de recuperação dos produtos e seus resíduos após o consumo dos clientes para reaproveitamento em novos ciclos produtivos, como a reciclagem, ou para oferecer outra destinação final ambientalmente adequada.
Para se inserir na cultura de consumo consciente, muitas lojas de cosméticos preparam seus espaços físicos com aparatos que vão desde coletores de embalagens até o uso de materiais orgânicos e naturais em seus produtos e ambientes, fortalecendo assim o imaginário coletivo da importância de tais ações.
A associação entre cosméticos orgânicos e um espaço construído de forma sustentável é inevitável se pensamos nos revestimentos arquitetônicos como os cosméticos em nosso corpo. Portanto, marcas que queiram se estabelecer na cultura do consumo consciente devem se esforçar para construir espaços conscientes.
Assim, ressignificamos nosso olhar atribuindo valores subjetivos que nos ajudaram a valorizar a natureza e a vida. Esta sim é a beleza pura.
Referência:
MORAIS, I.B.S.; ANGELIS, L.H. Biotensoativos: uma alternativa mais limpa para as indústrias de cosméticos. Pós em revista do Centro Universitário Newton Paiva, ed. 6, fevereiro 2012.
NOCERA, Leonardo Spessotto Bittar. SILVA, Jussara Goulart de. CONSUMIDOR
VERDE: PERFIL E COMPORTAMENTO. In: XVIII Encontro internacional sobre
gestão empresarial e meio ambiente-ENGEMA (Anais de congresso) São Paulo, 2016


