Ser sustentável está na moda, literalmente, e desta vez não deve sair. Agora a indústria têxtil quer trazer mais que estilo, ela também quer sustentabilidade.
Toda a retirada de matéria prima da natureza para produção industrial em grande escala afeta fortemente o processo de mudança climática. Com a indústria da moda não é diferente. O processo de desenvolvimento sustentável impele nossas indústrias a mudar. Mudar para algo menos poluente, mais eficaz e respeitoso que hoje.
Designers têm compreendido cada vez mais seu papel na batalha para um consumo consciente e diversas estratégias estão sendo desenvolvidas para este objetivo. Tais como a diminuição de substâncias químicas na cotonicultura, uso de fibras biodegradáveis e com baixo uso de energia e água em sua produção. (GROSE, FLETCHER, 2019).

A indústria tecnológica tem levado as compras cada vez mais para um mundo virtual, porém roupas são aquele tipo de coisa que todos nós preferimos ter contato empírico antes de investir, afinal de contas, trata-se de nossa “segunda pele”. Elas possuem um caráter simbólico enquanto signo de configuração identitária social e pessoal, capaz de assemelhar e distinguir, de aproximar e de afastar, de inserir e de excluir (QUINTELA, 2011).
Por todas essas características, as lojas físicas de roupas apresentam-se como um ponto de encontro importante entre produto e consumidor, devendo se incorporar na cultura consciente, sendo essas uma extensão espacial das vestimentas.
Podemos pensar nas roupas como pequenas arquiteturas etéreas. Todos nós já sentimos o desconforto de estar vestido inadequadamente para o espaço que estamos. As marcas fashion podem considerar então o espaço de suas lojas físicas como a indumentária de seus produtos. Vestir-las de uma arquitetura sustentável dá sintonia aos valores defendidos e simbolizados por elas.
A simples escolha de não demolir totalmente os elementos de um espaço e incorporá-los ao design já simboliza a importância do reuso no consumo. Estruturas como lajes, vigas e pilares ou instalações aparentes, que não necessitam de quebradeiras em sua troca, têm ganhado cada vez mais adeptos entre arquitetos que escolhem não fazer grandes esforços para esconder tais elementos e vêem sua exposição como uma maneira de incorporar valores como verdade e sinceridade ao recinto.

Podemos pensar em roupas e construções como diferentes níveis do invólucro que necessitamos para nos proteger no dia a dia. Portanto, se as marcas responsáveis por criação de estilo não acompanharem seus produtos do envoltório que abrangem os mesmos valores, basicamente estarão mal vestidas para o dress code do futuro.
Referência:
FLETCHER, Kate GROSE, Lynda; (Org.). Moda & Sustentabilidade, Design Para Mudança. São Paulo: Editora Senac, 2011.
QUINTELA, Felipe H. A Segunda Pele: A linguagem das roupas, seus signos e a configuração da identidade social através do vestuário. Anais do Seminário Nacional da Pós-Graduação em Ciências Sociais – UFES. Vitória, v. 1 n. 1, 2011.


