Os ambientes físicos são capazes de nos influenciar. Há um impacto na nossa forma de viver, aprender, se relacionar com os demais e com o mundo. Portanto, projetos arquitetônicos para escolas devem ser tratados não só como uma edificação, mas também como um ambiente transformador, que irá impactar pedagogicamente os seus usuários frequentes.
Projetos arquitetônicos para escolas sustentáveis merecem destaque entre os demais programas. Em uma escola, criamos possibilidades de ensino e educação. Uma escola projetada para ser sustentável é um campo de educação para o futuro.
A crise climática que vivemos hoje, em parte, foi criada por uma falta de integração entre as gerações e nossos modelos de desenvolvimento. Gerações do hoje estão tentando consertar consequências de escolhas de gerações do ontem para que possamos ainda ter lugar nas gerações do amanhã.

Portanto, investir na criação de projetos de escolas que incorporem o desenvolvimento sustentável em seu espaço é uma forma efetiva de fazer com que ocorra uma revolução intersubjetiva de nossos costumes, redirecionando assim o rumo de nosso futuro.
A educação obtida em nossas escolas sustentáveis alcançariam mais que apenas os alunos. Ela afetaria todas as gerações de uma família e seus conhecidos próximos, pois estes aprenderiam através do exemplo observado no contato com os indivíduos que estão em processo de desenvolvimento em práticas e costumes ecologicamente saudáveis em ambientes sustentáveis.
Como exemplo deste fenômeno, no ano de 1997 quando usar cinto de segurança passou a ser obrigatório nos automóveis no Brasil, logo percebeu-se que uma boa maneira de influenciar os condutores de veículos a adotar o uso de tal aparato de segurança foi ensinar as crianças nas escolas sobre o assunto, para que compartilhassem a prática com seus pais. O mesmo pode ocorrer ao prepararmos as novas gerações para a aplicação de coisas simples, como reciclagem do lixo ou reutilização de água.
Há psicanalistas que defendem que os acontecimentos de nossa infância são fortes construtores de destino (Ramírez, 1984). Logo, para construirmos um futuro melhor, devemos investir na criação de ambientes que proporcionem às novas gerações uma infância incorporada às práticas sustentáveis. Temos que criar lugares em que elas passem pelo processo vital de autoconscientização como indivíduo social rodeado por um recinto que as instrua para o sustentável.
Poucas coisas tem um poder de educação tão forte, porém silencioso, quanto a arquitetura do edifício onde obtemos nossa educação. Arquitetos percebem que após anos circulando por espaços pensados com ordens e diagramas bem desenvolvidos, ocorre um assentamento natural em nosso subconsciente que tende a valorizar estes princípios.
Vislumbremos então o momento em que todas as escolas são projetadas a partir de bases onde os alunos vivenciam a prática do desenvolvimento sustentável enquanto crescem. Isso poderia incluir um ambiente com a presença de hortas, composteiras, captação de água da chuva, energia solar e eólica. Estratégias já defendidas por especialistas como técnica de adaptação das escolas da rede pública ao ensino da sustentabilidade (Shaurish, Mello, 2017). Só a inserção do ensino dessas simples práticas já dão aos alunos os instrumentos necessários para se construir bases para soluções dos nossos principais dilemas atuais.

As potências mundiais estão cada vez mais preocupadas com uma política de desaceleração da poluição ambiental e para isso estão progressivamente adotando medidas legais mais direcionadas a esse objetivo. Provavelmente a adoção de projetos sustentáveis para escolas logo será tomada como um padrão mínimo para a educação, sendo largamente incentivado fiscalmente sua criação e implementação.
Assim sendo, nossos edifícios, particularmente nossas escolas, podem ser essenciais na construção de nosso futuro como sociedade e seu testemunho permanecerá por muitas linhagens graças ao poder da presença intergeracional que só a arquitetura tem.
Referência:
RAMÍREZ, Santiago. Infancia es destino. 7ª edição. Madrid: Siglo XX, 1984.
SHAURISH; MELLO. Proposta para desenvolvimento sustentável aplicável à rede pública de ensino. 2017. Disponível em <https://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=2690>


