Viajar é uma das experiências mais engrandecedoras que podemos realizar. Ouvimos novos sotaques, sentimos outros sabores, temos novos olhares. Definitivamente esta é uma das melhores maneiras de investir recursos.
Nós arquitetos utilizamos as experiências de viagens como parte essencial da nossa formação. Uma oportunidade de vivenciar e acumular repertório para nossas produções futuras. Porém, para transformar uma simples viagem em uma experiência real de engrandecimento, precisamos enxergar qualidades que nem sempre estão à mostra.
Estamos todos evoluindo cada vez mais para uma consciência coletiva sustentável, transformando assim nosso futuro através de atitudes hoje.
Segundo o artigo “Pegada de carbono no turismo global” (2018) da revista Nature Climate Change, o turismo global foi responsável por 8% dos gases de efeito estufa entre os anos de 2009 e 2013. Como podemos compensar então nossa pegada de carbono ao fazer viagens?

Arquitetos consideram os edifícios como nossa terceira pele: a primeira é a derme e a epiderme, a segunda são nossas roupas e a terceira é a arquitetura. Por isso a escolha de onde nos abrigar é tão significativa quanto como nos vestimos ou nos alimentamos, algo cada vez mais presente no cotidiano das pessoas que se tornam ecologicamente conscientes.
Ao se hospedar em hotéis projetados para operarem de forma sustentável, minimizamos os impactos causados por nosso deslocamento e estabelecemos uma presença de engrandecimento mútuo entre nós e a comunidade que visitamos.
John Elkington (1997) define o que é mundialmente conhecido como “triple bottom line”, o tripé da sustentabilidade, que reproduz um forte avanço no modelo de negócios tradicionais ao considerar o desempenho social, ambiental e econômico no sucesso de um estabelecimento comercial.
Isso representa medidas como reciclagem, economia de água e energia, contratação da população local, consumo de alimento de produtores locais, ou seja, atitudes que minimizem os impactos negativos e maximizam o bem estar social.
Ao projetar hotéis, arquitetos podem lançar mão de recursos valiosos, esses tecnológicos ou tradicionais. Vão desde automações que tornam eficiente o uso de aparelhos de ar-condicionado, captação de água da chuva, reutilização de água e chegam até a construções vernaculares com materiais locais. Johan Van Lengen (2004) inclusive ensina em seu livro Manual do arquiteto descalço como fazer um abrigo utilizando apenas algumas palmeiras, usando os troncos para a estrutura e as folhas para vedação.

Entendamos então que, de agora em diante, práticas inteligentes no projeto e gerenciamento de hotéis são o melhor instrumento para tornarmos nossas viagens, reflexo desse nosso instinto nômade, mais saudável ao nosso meio.
Portanto saibamos que um presente responsável é necessário para um futuro possível. Em sua próxima viagem, escolha se hospedar em um hotel que fomente a consciência ecológica e social, tornando sua viagem, ao invés de parasitária, simbiótica ao lugar.
Referência:
Lenzen, M., Sun, YY., Faturay, F. et al. The carbon footprint of global tourism. Nature Clim Change 8, 522–528 (2018). https://doi.org/10.1038/s41558-018-0141-x
ELKINGTON, John. Cannibals with forks. The triple bottom line of 21st century, p. 73, 1997.
LENGEN, J. V. Manual do Arquiteto Descalço. Rio de Janeiro: Tibá Livros,. 2004. p.18


